30/06
2016
Pequenos Príncipes – Por Paulo Schiff


O jornalista Paulo Schiff, pai de dois ex-alunos, logo após nossa Festa Junina, publicou o texto abaixo, na sua Coluna do Jornal do Litoral.

“Voltar alguns anos depois ao colégio onde você estudou e comer aquele mesmo sanduíche de linguiça na quermesse…

Pode existir alguma coisa mais embrulhada de felicidade?

Qual o tempero mágico naquele pão? Qual o perfume imperceptível que aquelas paredes exalam? Qual o cimento indestrutível com que foi construído o vínculo com aqueles professores, funcionários, colegas?

A escola é o tempo de vivenciar sonhos, projetos, esperanças. Você pretende mudar o mundo para muito melhor. E as pessoas que estão em volta participam, ainda que nem saibam, desses futuros que a alma adolescente desenha.

Na escola também tem construção. Evolução. Mesmo que você não queira, o conhecimento entra no seu corpo pelos poros.

Muitas vezes a vida aborta de forma cruel esses sonhos. Um pai que perde o emprego. Uma universidade com vestibular muito difícil.

Você olha para o país e sente que se mais crianças e adolescentes tivessem tido a oportunidade de circular por aqueles corredores e comer aquele sanduíche de linguiça, o mundo certamente seria melhor.

Mesmo que os sonhos tenham ficado pela metade, ou nem isso. Mesmo que a crise esteja trazendo dificuldades ainda mais dificultosas que as de sempre.

Você aprendeu a ter esperança. Você aprendeu a encarar desafios. Você aprendeu a trabalhar em equipe. A responder questões complicadas em provas de professores rigorosos.

Esse o tempero daquele sanduíche de linguiça. O sorriso da professora, o abraço da diretora que chama você pelo nome e pergunta pelo seu irmão que neste ano não veio na quermesse…

Infinitos filmes rodam na sua lembrança junto com aquela quadrilha de pequeninos, pulando a cobra ou voltando para trás porque a ponte caiu.

Você se pergunta porque aquela escola está tão definitivamente tatuada no seu coração. Na hora de ir embora, você dá uma olhada para trás e sente os lábios formatarem um sorriso de uma compreensão breve e arisca dos muitos mistérios da vida.

Você já sente saudade. Será que vou estar aqui de novo no ano que vem? Só no ano que vem?

Mas você vai em paz. Percebe que para onde quer que esteja indo, leva aquela escola no coração.”

Paulo Schiff é jornalista na função de apresentador de televisão, especialista em política.


Autor: Orientação
Categoria: Notícias

Comentar